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Obrigado por visitar nosso Cotidiano. Estamos escrevendo algumas coisas e fotografando outras desde 2008. Esperamos que gostem!

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Sal...(dade) do mar


...Ao fim
Além da saudade
Fica aquela coisa a nos assustar
Como fantasma do algo que morreu.

Ao fim, além da saudade
Permanece aquela dor no que já não existe
Como se houvessem membros amputados.

Ao fim, além da saudade
Fica aquela sede permanente na alma
E o deserto enorme por cruzar.

Existe uma saudade que chega sem avisar,
Que adeja sobre nossa cabeça e cai, como tempestade
Inundando de lembranças um tempo de recordações e nostalgias
Das quais não podemos nos livrar.


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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Satélite


Pouso o telescópio sobre o vidro da mesa
E num piscar,
Chego à lua.
Embebido daquele silêncio de satélite
Embriago-me de papel e letras.
Imagino o que escrevem
Os solitários dos outros planetas
E procuro visualizar nas lentes do telescópio
A estrela em que você dorme,
Para que eu possa ver
O brilho que vaza a moldura da tua janela
E tentar distinguir os tons da tua luz
Misturado às luzes das outras estrelas.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Diário Inalterado


DO pouco que fiz
de quase nada me arrependo
de quase nada me orgulho

do pouco que Fiz
nada me serviu pra nada:
nada me condenou
nada me enalteceu

das coisas que fiz na vida
o ter feito poucas coisas
talvez tenha sido a melhor:
algumas fotos
algumas palavras
alguns passos em má companhia
outros em solidão...



http://www.ezequielrodrigues.com/

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sábado, 25 de outubro de 2008

Frágil demais


estilhaços
vidros por todo lado...
vidros frágeis
amigos de vidro
conceitos de vidro
promessas de vidro...
tudo...tudo quebrado
no chão que piso descalço
e por onde tenho que caminhar.



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domingo, 19 de outubro de 2008

Pequenos aquários... grandes naufrágios

Minha alma é um aquário
onde se vê o íntimo,
o âmago
as entranhas...
onde meus sonhos - barquinhos de papel - naufragam...
*

sábado, 18 de outubro de 2008

Destino


Trago fantasmas no rosto e peso nas costas...
ando coberto de perguntas que não sei responder
olhando-me se vê não mais que um menino
e um destino destinado mesmo a não saber...

www.ezequielrodrigues.com

*

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Vou...

Vou ao mar molhar o estopim de minha tristeza
Vou ao mar lavar com sal essa dor
Vou ao mar afogar lembranças
Vou sonhar...

...Ferir de arpão o medo medonho
...Jogar anzóis
...Pescar luzes
...Abrir redes
...Resgatar minha vida naufraga

...Vou ao mar limpar o lodo do vidro do aquário que é minha alma.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O POVO


Ando nú de medos
mas todo dia penso em segredo:
"o que será de mim...?"

Ando de alma exposta
olhando-me se vê:
ando desarmado e sem respostas


Ando no mundo
disperso... escondido
levando diversos sentidos
todos perdidos, eu deles e eles de mim

www.ezequielrodrigues.com

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Madeira de lei!

Onde nos leva este rude e deserto sertão
Se o que queremos é a pujança do litoral

Onde nos leva esta água ardente, salobra, insana tubulação
Se o que queremos é o saneamento das consciências

Onde nos leva este labirinto de celulose pútrida
Se o que queremos é o fio de Ariadne

Onde nos leva este louco girar de roleta russa
Se o que queremos são as alegres vertigens do carrossel

Para onde nos leva este chumbo negro
Se o que queremos são as plumas do pavão

Para onde nos leva este aborto
Se o que queremos são jardins de infância

Para onde nos leva este sal de lágrimas
Se o que queremos é a alegria do algodão doce

Onde nos leva esta masmorra
Se o que queremos é a liberdade dos cimos

Onde nos levam estas noites negras
Se queremos as cores das borboletas

Onde nos levam estas trancas e cadeados
Se o que queremos é a liberdade das passarelas

Para onde nos leva a majestade avareza
Se o que queremos é a plebéia doação

Para onde nos leva o pão dormido da mesquinharia
Se o que queremos são os sabores da divisão

Onde nos leva o sangue das lutas de classes
Se o que queremos é a cerveja das mesas de bar

Onde nos leva a fria lâmina da concorrência
Se o que queremos é o calor das igualdades

Onde nos leva este cotidiano de sol a nascer e se pôr
De mar a encher e vazar
De satélites a nos rodear
De gentes a chegar e partir
De bocas a murmurar e sorrir
De ruas a se estender
De muros a delinear
De sexo a reproduzir
De sonhos a nos conduzir
Do falso a nos enganar
De festas a nos balançar
De Chicos a nos encantar
De dietas a recomeçar...

A que mar nos leva o barco em nossa alma...
e de que madeira é feito?

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

...NAUFRÁGIO

Eu vivo a vida buscando a vida...

as vezes a encontro e seguimos juntos
as vezes tropeço nela

eu ando pelo mundo buscando viver
eu ando mudo pelo mundo... poraí
eu ando pelo mundo sem ver o mundo que trago em mim

eu ando assim... ser ter... sem ser... sem nada

meu mundo é um raciocínio estreito
por onde corre
a correnteza que trago no peito
e nela vai um barquinho... navegando... boiado...

eu ando pela vida ida e volta

uma hora uma amarra se solta
uma onda me bate
e não há geito: ... é naufragar...!


*

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A MINHA ALMA É SÃ

A minha alma não é tosca
a minha alma não é bruta
a minha alma não é morta
a minha alma não é torta
a minha alma me conforta:
a minha alma é uma porta!
(continua...)