quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

...mas a vida de ninguém é um cinema!

A minha casinha tem um jardim de baobás onde brincam crianças gigantes e uma janela do tamanho do mundo. Dela, vejo o pôr do sol nas distantes ilhas da Grécia e quando é noite, a minha janela abraça todas as estrelas.


Minha janela de tão aberta
mais parece o coração de alguém que mora no céu
lá passa nuvem, balão, estrela cadente,

pássaro, pipa, gases tóxicos...

na minha janela passa todo o vento do mundo
 - e o vento, todos sabem, é a borracha das mágoas...
 

A minha janela foi Deus que me deu, mas ele não me ensinou como fecha-la  e ela vive aberta a todas as coisas do mundo. Nos tempos de guerra e desastres eu choro até adormecer e quando acordo, pulo da janela, de pára-quedas, para lavar a alma na fumaça das nuvens.



De lá, de minha janela, vejo naus e naves cruzarem o horizonte em busca de tesouros alheios e isso me aborrece... não fosse a vida tão cheia de homens, minha janela seria como a tela de um cinema e quando chegasse o fim tudo estarai bem.
 
 
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