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sábado, 30 de abril de 2011

Crônica de um dia ruim


Há dias em que me sinto tão grande que vejo as estrelas nascerem no chão. Mas há dias em que meu dia já nasce vazio. Acordo catando algumas esperanças para delas fazer força e levantar. Então abro os olhos (embora o desejo seja não os abrir jamais) e sinto pena de Deus! A imortalidade deve ser um fardo. Sinto-me para mim como aquela agonia que dá no estômago de quem tem medos de alturas e medos de cair. A vida tem me cansado mais do que tem me alegrado. Alegria ou tristeza, nada depende de mim e tudo me atinge. Sou apenas uma antena que capta os gozos e dores do mundo. Vou vivendo assim: sem ambições e sem culpas. Vejo operários no topo de um edifício e tenho inveja deles. Nunca cheguei ao topo de nada (e se chegasse sentiria medo). Escrevo para dizer com letras o que não saberia dizer com a minha voz se tivesse a quem dizer algo. Meu psicólogo é um pedaço de papel. Ao lado, no banco vazio do ônibus, vai meu anjo da guarda, sonolento pela hora matinal e risonho de tudo que ouve o meu pensamento dizer. Enfim, chegamos ao mar e o anjo corre à praia esquecendo-se de mim. Estou só.


@zekrodrigues

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"meu coração é tão tosco e tão pobre..."


Meu coração é um osso duro
meu coração é puro osso
meu coração é um osso duro de roer.



é sítio de altos muros
meu coração vai mal e vai bem
tique & taque
sol & sombra
consciência & lombra.



meu coração não é nada demais
nem mel, nem fel, nem meu, nem céu, nem seu nem de ninguém
meu coração vai além de mim (e do que sei) e se esculhamba sozinho
corta caminho, cai em siladas, boia no mar de sangue ao seu redor.



meu coração é puro... puro osso!!!


@zekrodrigues

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dia a dia...

...Na guerra nossa de cada dia
Eu luto contra tudo
Em qualquer lugar onde estou
Me sinto um alvo
&
Carrego uma arma



Onde vou, arrasto prisioneiros
Liberto reféns
Faço ameaças
Sou amedrontado...



Eu luto contra tudo
Sou inimigo e aliado
Sou herói e desertor

Todo oprimido tem uma fisgada de opressor


Eu luto contra tudo que trago em mim:
Contra o que sou
Contra o que posso vir a ser

Eu respiro, eu suspiro, eu transpiro e me retiro devastado
(como Príamo, fugindo de Tróia)
Devastado, mas Rei da terra destruída que sou!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A MENTira


Eu sofro superficialmente

admiro intimamente

trabalho arduamente

escrevo ironicamente

minto discretamente

busco desesperadamente

ando lentamente

bebo moderadamente

sonho pesadamente...


eu e minha mente

vivemos postiçamente

eternamente

pausadamente

dormentemente

eu e minha mente vivemos uma MENTira !

.

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